Certo e errado: de onde vem a moral?
Matar crianças inocentes é errado. Não apenas “errado para você”, mas errado para todos, em qualquer lugar, sempre. Mas, se isso é mesmo verdade, o que isso nos diz sobre o universo?
Algo que todo mundo já sabe
Antes de ler mais uma palavra, responda isto mentalmente: o Holocausto foi errado?
Você não precisou pensar muito, não é? Não precisou procurar num livro de regras. Não precisou perguntar aos seus pais. Você simplesmente sabe que foi errado, profundamente, obviamente, certamente errado.
Agora vem a pergunta que os filósofos fazem: como você sabe?
De onde vem essa certeza? Você não a inventou. O seu país não votou sobre ela. Mesmo que todos os governos da Terra dissessem que o Holocausto foi aceitável, ele continuaria não sendo aceitável. Essa sensação de que algo é errado parece vir de algum lugar fora de nós.
C.S. Lewis, um dos pensadores cristãos mais brilhantes do século XX, percebeu que, quando as pessoas discutem, elas dizem coisas como “Isso não é justo!” ou “Você não tinha o direito de fazer isso!” Sem perceber, elas estão apelando para um padrão de certo e errado que as duas pessoas supostamente já conhecem. De onde vem esse padrão comum?
Dois tipos de “errado”
Os filósofos fazem uma distinção muito importante:
- AMoral relativa: “errado” significa apenas “o meu grupo não gosta disso”. Se a sociedade muda, o que é “errado” muda. Não existe certo ou errado de verdade, só opiniões e preferências. Como preferir chocolate a baunilha.
- BMoral objetiva: algumas coisas são real e verdadeiramente erradas, não importa o que alguém pense, sinta, vote ou tenha aprendido desde criança. Esses fatos morais existem de forma independente, como os fatos da matemática.
Esta é a pergunta-chave: qual das duas é verdadeira?
Pense com cuidado. Se a moral é apenas relativa, se não existe certo ou errado de verdade, então não podemos dizer que o Holocausto foi verdadeiramente errado. Só podemos dizer: “Nós não preferimos isso.” A maioria das pessoas acha isso profundamente insatisfatório, porque lá no fundo elas sabem que foi errado de verdade, e não apenas impopular.
O argumento, passo a passo
O argumento moral a favor da existência de Deus funciona assim:
- 1Se existem fatos morais objetivos, então Deus existe. Fatos morais objetivos precisam de um fundamento. Eles não podem ficar soltos no universo sem explicação. A melhor explicação para o fato de algumas coisas serem verdadeiramente certas ou erradas, independentemente da opinião humana, é que existe um Deus moralmente perfeito que criou a realidade moral.
- 2Fatos morais objetivos existem. Você já sabe disso. Matar crianças inocentes é errado de verdade. A bondade é boa de verdade. Isso não são apenas opiniões: são verdades morais que existem, quer alguém concorde com elas, quer não.
- 3Portanto, Deus existe. A existência de fatos morais reais (fatos sobre o certo e o errado que são verdadeiros para todos, sempre) é mais bem explicada por um Criador moralmente perfeito, que é a fonte desses fatos.
Palavras-chave
Perguntas e objeções comuns
“Não precisamos de Deus para distinguir o certo do errado. A evolução nos deu a moral.”
A evolução talvez explique por que sentimos que certas coisas são erradas, mas não consegue explicar por que elas realmente são erradas. A evolução trata de sobrevivência, não de verdade. Se a evolução nos moldou para pensar que o assassinato é errado, isso só nos diz que esse pensamento nos ajudou a sobreviver, e não que o assassinato é real e verdadeiramente errado. O argumento moral não trata da origem dos nossos sentimentos. Ele trata do porquê de existirem fatos morais objetivos.
“Culturas diferentes têm morais diferentes. Não existe uma única verdade moral.”
As culturas realmente discordam sobre muitas coisas, mas concordam sobre as grandes. Nenhuma cultura celebra matar crianças inocentes por diversão. Nenhuma cultura acha que a covardia é melhor que a coragem. E, mesmo quando as culturas discordam, elas estão discutindo sobre o que é verdadeiramente certo, o que significa que todas supõem que existe uma resposta verdadeira a ser encontrada. Quando uma cultura faz algo monstruoso (como a escravidão), não dizemos: “Bem, para eles era certo.” Dizemos que eles estavam errados. Isso significa que acreditamos num padrão objetivo.
“Se Deus criou a moral, Ele não poderia tornar bom matar crianças inocentes, se quisesse?”
Não, porque a natureza de Deus é a própria bondade. Ele não decide o que é bom como quem escolhe um prato no cardápio. O próprio caráter dele é o padrão do que é bom. Perguntar “Deus poderia tornar bom matar crianças inocentes?” é como perguntar “Um círculo poderia ser quadrado?”. A pergunta contradiz o que queremos dizer com Deus. Um ser perfeitamente bom não pode querer o mal. Isso não é uma limitação, é uma definição.
- Você consegue pensar em algo que acredita ser verdadeiramente errado (não apenas “a minha cultura não gosta disso”), mas realmente errado para todos, em todo lugar? O que é?
- Se Deus não existe e a moral é apenas uma invenção humana, isso muda o modo como você vê a justiça? O que acontece com a ideia de direitos humanos?
- C.S. Lewis disse que perceber a “Lei da Natureza” (o certo e o errado) foi o primeiro passo para crer em Deus. Essa ideia faz sentido para você? Por quê?
- Como você explicaria o argumento moral para um amigo que não acredita em Deus?
O que é “moral objetiva”?
Alguém diz: “Culturas diferentes têm morais diferentes, então não existe certo e errado absolutos.” Qual é a melhor resposta?
O argumento moral mostra que a existência de um certo e um errado reais e objetivos aponta para um Deus moralmente perfeito como a sua fonte. Esse argumento foi apresentado por filósofos como Immanuel Kant e C.S. Lewis, e ele não começa pela Bíblia, mas por algo que você já sabe no fundo da sua consciência.